Sindicato dos Empregados do Comércio de Balneário Camboriú

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abril 13, 2018

Capitalista ama o lucro, quem ama crescimento econômico são amigos do capital

A economia não é neutra, ao contrário do que pressupõe os ideólogos do crescimento econômico. O que importa para os capitalistas não é a taxa de crescimento da economia. Um grande capitalista lucra tanto com a economia crescendo quanto com a economia estagnada. É possível, diante de um corte de receita de 10%, por exemplo, experimentar um corte nos custos salariais em 40%, uma grande farra de lucros para a burguesia, mesmo com menor receita. Este é o cenário brasileiro, economia estagnada, mas com um corte drástico nos custos trabalhistas através da precarização trazida pelo fim da CLT e do crescimento acelerado da informalidade. O crescimento econômico encontra-se estagnado, a informalidade e a precarização das relações de trabalho comandam o início do ano. Os grandes capitalistas gargalham e tomam uísque escocês, o povo sofre e entra em desespero.

 

  1. Informalidade e precarização do trabalho em alta

O ano de 2017 foi de grande expansão da informalidade no Brasil. Foram criados 1,8 milhão de vagas no setor informal enquanto que foram perdidas 685 mil vagas com carteira assinada. Crescem os trabalhadores autônomos, desesperados que passam a enfrentar as jornadas exaustivas como trabalhadores de UBER, vender marmitas para os conhecidos, trabalhar como camelôs ou costurar para uma facção de roupas ilegal, sem qualquer condição de trabalho. Natural em uma economia onde a taxa de desemprego encontra-se em um patamar estrutural de mais de 14%, com uma rotatividade no setor privado de mais de 60% e com a massa de empregados (80%) ganhando menos de 2 salários mínimos.

Aqui comanda a superexploração da força de trabalho, onde o trabalhador tem suas condições de vida sistematicamente rebaixadas para engordar os lucros da classe dominante. Todos os setores capitalistas se beneficiam disto, desde os banqueiros até os industriais e comerciantes. Pagar pouco e exigir jornadas de trabalho exaustivas é característica estrutural da nossa economia. O trabalhador, pouco ou nada organizado coletivamente, vira presa fácil para a burguesia, é engolido, mastigado e vomitado rapidamente, muitas vezes mutilado e doente. Brasil, uma máquina de moer gente, já diria o saudoso Darcy Ribeiro.

Com o fim da CLT, promovido pelo governo Temer e pelo covil de ladrões do parlamento nacional no final de 2016, a situação tende a se agravar. Apenas em torno do trabalho intermitente, forma de trabalho altamente precarizada, o Ministério do Trabalho anunciou, em dezembro de 2017, saldo positivo deste tipo de contrato de 2.574 postos e, em janeiro de 2018, de mais 2.461. Os setores do comércio e serviços lideram este quadro, com 81,4% dos admitidos, em dezembro, e 65,8%, em janeiro. Um verdadeiro descalabro social para os trabalhadores.

 

  1. Capitalista quer é lucro, crescimento é coisa de economista ingênuo

Do outro lado, alguns economistas choram o fato da economia, baseada no consumo dos trabalhadores e na exportação, patinar. Se o resultado das exportações é “bom”, já que continuamos ampliando a nossa estrutura de economia exportadora de produtos de baixíssima intensidade tecnológica, do lado do consumo dos trabalhadores o descalabro está posto. O consumo familiar está estagnado nos últimos meses, sendo que passamos por uma queda brutal de mais de 12% em termos reais da renda familiar nos últimos três anos. Todas as pequenas conquistas salariais dos 10 anos anteriores (2005/2014), foram rapidamente liquidados. Restou ao país a velha estrutura dependente e subdesenvolvida, onde o Brasil se coloca na divisão internacional do trabalho como uma grande fazenda produtora de soja, madeira e carne, com um subsolo abundante em riquezas naturais exploradas pelo extrativismo mineral e petroleiro, tudo destinado à exportação, e com uma massa de empobrecidos que aqui trabalham.

Alguns economistas recorrem ao moralismo, dizendo que estão acabando com o consumo, “a galinha dos ovos de ouro” do crescimento econômico. Tentam sensibilizar a classe dominante para que esta mude seu modelo de desenvolvimento. Tarefa inútil e que não entende o fundamental: os capitalistas vivem de lucros, não de crescimento. Poderíamos pensar que os pequenos capitalistas, que dependem do consumo interno, vão perder muito com esta queda, e é verdade. Entretanto, se esquecem que o fim das leis trabalhistas permite, também a estes pequenos burgueses, deixar de pagar verbas trabalhistas de seus poucos trabalhadores. Ganham no presente com a queda do custo salarial, mas perdem no futuro, já que serão absorvidos pelos grandes monopólios.

Já os monopólios, estes ganham em todas as situações, no curto, no médio e no longo prazo. Aproveitam para acumular lucros extraordinários com a queda dos salários e, em um futuro muito breve, utilizam destes lucros acumulados para falir e comprar a preço de banana as pequenas e médias empresas capitalistas. A lógica do capitalismo é esta mesma, todos olham apenas para sua margem de lucro imediata, não se preocupam com projeto nacional estratégico. Se vender o país dá lucro, que se venda. Se acabar com a vida de milhões aumenta a rentabilidade dos negócios, que se faça isso sem pudor. Esta é a lógica do capital, ilusão pensar que é possível um “capitalismo humanizado”, com empresários amigos dos trabalhadores e preocupados com o crescimento econômico. Pensar que isto é possível serve  apenas a um objetivo: desarmar os trabalhadores na guerra de classes e permitir a fácil vitória da classe dominante. Que aprendamos a lição da história.

 

Responsável Técnico: Maurício Mulinari

 

Fontes:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/emprego-informal-tira-forca-da-retomada.shtml?loggedpaywall

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